Penso e sinto... muito.
Tudo é deprimente.
Transformar o banal, o sagrado, o grotesco, o imoral em belo.
AtoAbrem-se as matas.
Sobre a terra úmida,
toca a flor
com seus talos.
Sopra o vento,
tudo balança
num vai-vém.
Escorre o orvalho.
Toca o caule,
o céu rosado.
Aroma suave dos campos.
Ao alto,
crescem os picos
das montanhas.
O balançar
e as canções
gemidas das cordas
vão-se por toda noite.
Em meio ao movimento
da natureza,
lançam-se as sementes
dos caules das flores,
e se esparramam
por todo o campo,
terra úmida adentro.
Espalha o mel
pelas flores.
Nesses dias no ócio, pude criar algo... quem sabe eu consiga guardar.
Capital
Sou canibal.
Como olhos,
como braços,
como o cérebro.
O coração,
jogo aos cães.
A língua,
exponho aos homens
as blasfêmias,
as mentiras
e as falsas promessas.
E em discurso,
repito as blasfêmias,
as mentiras,
as falsas promessas.
Não pareço canibal.
Infância.
Desejo-a,
mas não mais Édipo.
Acabou-se?
O que era doce?
O mel que escorria
dentro de sua boca
ou a marca
das unhas
em sua alma?
Um grito,
um sorriso.
Desejo-a,
como a lua,
envolta,
pelo negro
da noite.
Culto a Onan
A mente não está ali
Viaja nas imagens e nas curvas
Escorre o suor.
As mãos apertam firme, acariciam.
Ofegante, anestesiado.
Os olhos viram em uma explosão.
Salta o coração
Sem dor,
sem preocupação.
A pressão encontra
o papel na ponta.
Por vezes, o ralo.
Nas mãos, o calo.
Finalmente, leveza.